Eu quero saber onda tá o

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O tempo não pode parar 3 - Continuação-





Troquei de roupa e penteie o cabelo. Botei um velho pijama meu . Eu não o usava fazia um belo tempo. Ele me deixava bem quente , mas eu parei de usar , pois, burramente , o julgava "muito criança " para minha idade , que era 13. Mas não estava ligando se aquele pijama era muito infantil e até bastante florido. Eu queria deitar na minha cama , que sempre fazia com que meu corpo afundasse no colchão , eu odiava aquilo. Mas agora , eu estava satisfeita.

Como eu disse , me sentia bem madura. Liguei a TV e mudei de canal , procurando algum programa que me agradasse. Não achei. Então desliguei a televisão e peguei o saco de balinhas que eu havia deixado na mesa do computador. Comi o resto dos doces que ainda restavam dentro da sacolinha plástica. O telefone tocou.
"Alô?"-Ouvi aquela voz do outro lado da linha
"Oi"-Disse , mastigando o último doce
"Luana?"-Disse aquela voz , que agora eu sabia exatamente de quem era.
"Oi Clarinha."-Falei ,engolindo o  doce
"Luana! Eu to ligando pra saber se você melhorou."
"Para saber se eu melhorei? Mas eu nem estive mal, como pude melhorar?"- Disse , fingindo que não sabia a origem da pergunta. Eu não sou o tipo de pessoa que acha favorável compartilhar esse tipo de acontecimento. Principalmente com a Clarinha  , que eu não falava a mais ou menos três meses. Tudo bem que ela foi uma das minhas melhores amigas. Mas eu perdi muito o contato com ela , já não tinha intimidade. E da última vez que nos encontramos , nem tivemos muita chance de conversar direito. Será que ela realmente acreditava que eu ainda a considerava uma amiga super íntima? Pelo menos era isso que ela demostrava toda vez nós nos falávamos . Da penúltima vez que nos vimos , ela pediu meu telefone , eu dei , mas nem peguei o dela e uns 10 dias depois troquei o telefone , sem nem sequer ter o trabalho de avisá-la meu novo número. Antes fomos grandes amigas, mas hoje , não cultivo nada com ela , nem sequer um pedaço de amizade, para ser sincera. E acho que ela não entendeu isso bem .
"Não se finja de boba! Eu sei que você sabe muito bem do que eu estou falando"-Disse ela , com aquela velha insistência chata, que eu tanto conheci.
 Eu realmente não queria compartilhar esse meus problemas com a Clara. Então fui curta e grossa :
"Não estou afim de compartilhar isso com você."- Desliguei o telefone na cara dela. Como eu disse , não queria mesmo compartilhar nada com ela. Principalmente porque , de repente , toda aquela coragem que eu estava tendo , até então , havia sumido de mim . E senti a emoção tomar conta de mim . Em segundos , não dava mais por mim , e me ouvi dizer , acho que até alto.

"Ah não! De novo não!"

-Continua-

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